#1 Topologia de Barramento

Topologia de Barramento (Bus Topology)

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A topologia de barramento foi a principal forma de utilizada, e apesar de ser uma rede “legada”, ela ainda serve como base para entender como as redes funcionam hoje — inclusive o Wi-Fi, que herdou vários dos mesmos desafios.

Assim como um estudante de medicina não pode ignorar anatomia, um profissional de redes não pode pular os fundamentos. Muitos comportamentos da camada física e de enlace só fazem sentido quando você entende como o fluxo funciona e como a rede vai se comportar, para entender isso completamente, é preciso entender dês de o começo.

Por que estudar topologia de barramento?

Compreender esta topologia explica:

  • como surgiram os domínios de colisão,
  • por que os switches foram revolucionários,
  • como funcionava o CSMA/CD,
  • por que a escalabilidade era tão limitada,
  • e como esse conceito volta nas redes Wi-Fi.

O que é a topologia de barramento?

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Na topologia de barramento:

  • Todos os computadores são conectados ao mesmo cabo físico contínuo (o “barramento”).
  • Esse cabo era geralmente coaxial (10BASE2 ou 10BASE5).
  • Todos compartilhavam o mesmo cabo para transmitir e receber dados.

É exatamente como um único cabo de TV distribuído para várias residências hoje: todos recebem o mesmo sinal que percorre o fio.

Problema 1 — O meio compartilhado

Quando um computador enviava uma mensagem, todos os outros recebiam, mesmo que o quadro tivesse apenas um destinatário.

Isso criava:

  • broadcast constante (Envio obrigatório para todos),
  • tráfego desnecessário,
  • atrasos,
  • baixa performance.

Não havia segmentação nem controle inteligente de tráfego.

Problema 2 — Colisões constantes

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Como todos usavam o mesmo cabo, se dois computadores transmitissem ao mesmo tempo, os sinais colidiam — literalmente se “batiam” dentro do fio.

O resultado:

  • o quadro era destruído,
  • a transmissão era perdida,
  • todo mundo precisava retransmitir,
  • e a rede ficava cada vez mais lenta.

Quanto mais dispositivos você adicionava, mais colisões surgiam.

As redes em barramento eram Half-Duplex

Outro ponto crítico é que as redes em barramento só funcionavam em half-duplex.

Isso significa:

  • o dispositivo não conseguia transmitir e ouvir ao mesmo tempo;
  • ao transmitir, ele ficava “cego” para o meio;
  • se outro host transmitisse simultaneamente, a colisão só seria percebida depois que o quadro era corrompido.

Esse comportamento aumentava ainda mais a ocorrência de colisões e reduzia drasticamente o desempenho da rede conforme mais máquinas eram adicionadas.

Esse mesmo conceito de half-duplex reaparece até hoje no Wi-Fi, que também não consegue transmitir e escutar simultaneamente no mesmo canal.

Problema 3 — Escalabilidade muito limitada

Adicionar mais computadores ao barramento aumentava:

  • a probabilidade de colisões,
  • o congestionamento,
  • a latência,
  • o broadcast,
  • e os erros na rede.

Além disso:

  • uma única falha no cabo podia derrubar a rede inteira;
  • manutenção era difícil;
  • não existia isolamento de tráfego.

Resultado: não servia para redes corporativas grandes.

CSMA/CD — Como a Ethernet tentava organizar o caos

https://www.researchgate.net/publication/323511648/figure/fig3/AS%3A631600802983960%401527596774658/Flow-diagram-for-the-CSMA-CD.png

O protocolo CSMA/CD (Carrier Sense Multiple Access with Collision Detection) era usado para reduzir o número de colisões.

Ele funcionava assim:

  1. O dispositivo ouvia o cabo para ver se estava livre (Carrier Sense).
  2. Se estivesse livre, transmitia.
  3. Se outra máquina transmitisse ao mesmo tempo → colisão.
  4. Ambas percebiam a colisão e esperavam um tempo aleatório e distintos (Backoff).
  5. Tentavam novamente.

O grande problema:

👉 O CSMA/CD só detecta a colisão depois que ela acontece.

Ou seja, ele não impede colisões — apenas reage.

Cabo único: um gargalo físico e lógico

Além dos problemas de colisão e broadcast, esse modelo apresentava:

  • um único ponto de falha,
  • limitação de distância,
  • baixa velocidade,
  • nenhuma segurança,
  • nenhuma forma de segmentação.

Como a topologia de barramento “ressurge” no Wi-Fi Hoje

https://www.networkacademy.io/sites/default/files/2025-03/collision-avoidance-csma-ca.png

A topologia de barramento morreu no cabo… mas voltou no ar.

No Wi-Fi:

  • todos compartilham o mesmo canal,
  • todos disputam o mesmo meio (Ondas pelo Ar),
  • o meio é half-duplex (Envia e aguarda para receber),
  • colisões ainda existem — mas são invisíveis.

Por isso o Wi-Fi usa CSMA/CA (Collision Avoidance), a evolução do CSMA/CD que tenta evitar colisões antes que aconteçam.

Ou seja, o fluxo de redes e comportamento das transmissões ainda é o mesmo, a topologia de barramento continua viva, mas agora o fio foi removido, e por isso é de suma importância entender esse modo de transmissão.

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